Fazer algo para mim


Andei conversando com amigos e, ultimamente, estou uma pessoa insuportável, que só fala de trabalho. Cheguei a um ponto que nem meus pais aguentam e, eles se preocupam com meu nível de stress, cansaço, insônias e tristeza. Não é à toa, até eu me preocupo com o estado no qual me encontro.

Novamente, não, eu não odeio meu trabalho, mas realmente, estou cansada e preciso de férias.

Numa conversa com uma amiga, percebemos que, nos últimos meses, nos perdemos muito em relação aos nossos esforços que, foram quase 100% focados em trabalho e, acabamos esquecendo de nós. Justo nós, mulheres tão independentes e, teoricamente, decididas sobre muitas coisas.

Nossas “infelicidades” desta fase da vida, têm histórias um pouco diferentes, mas uma coisa é certa: precisamos voltar a lembrar quem somos nós, o que gostamos de fazer, simplesmente, lembrar de nos cuidar mais e, desconectar do trabalho.

Desconectar do trabalho é algo que achei que havia aprendido no ano passado, depois que saí de uma internação no hospital. Na verdade, foram três internações. Meu stress chegou ao ponto que minha imunidade baixou e, comecei com o H1N1, virou meningite asséptica, por uma reação do meu próprio remédio de imunidade, e sei lá o que deu, eu fiquei vários dias sem andar, fazendo fisioterapia.

Foi um perrengão, mas passou. E, eu tive que implorar ao médico para me dar alta, porque eu estava há um mês e meio no hospital, praticamente. Apesar dos meus problemas de saúde, foi a primeira vez que fiquei internada por tanto tempo no hospital. Foi horrível. Foi uma fase bem difícil, logo depois do meu aniversário e, logo após uma das piores decepções que passei na vida. 2019 foi um ano difícil, mas não posso negar que, foi nesse ano que aprendi o tal do amor próprio.

Voltando ao assunto, achei que eu tinha aprendido a desconectar do trabalho. E, a realidade é que aprendi, comecei a fazer exercícios na academia, saía com amigos fora do trabalho, evitava falar sobre trabalho. Estava tudo bem.

Mas, do final do ano passado para cá, muita coisa mudou. Eu amadureci muito no trabalho, aprendi muitas coisas e, pela primeira vez na vida, senti segurança e me senti confiante sobre mim mesma. O tempo foi passando e, fui recebendo muitos elogios. E também, vi muitas coisas que eu fiz, funcionando bem, o que me deixou ainda mais feliz e empolgada. Ou seja, aos poucos, minha vida foi consumida pelo trabalho, de novo, sem querer, por pura empolgação. Eu adoro ver as coisas funcionando.

O cenário da pandemia, também, influenciou. Comecei a trabalhar full-time em Home Office desde Março e, eu que nunca tinha trabalhado em casa, comecei a trabalhar no quarto, depois na cozinha, na sala…e, sério, não façam isso. Faz super mal. Você transforma sua casa toda em trabalho, sem perceber.

De Julho para cá, organizei um quarto separado, só para trabalhar. Tenho acordado, tomado banho, trocado de roupa e ido trabalhar. Coloco roupas confortáveis, claro, mas trocar de roupa é essencial para mudar a chave na cabeça para “hora do trabalho”.

Nos últimos meses, a empolgação, foi muito grande. Eu fiz coisas que, nem eu acredito que fiz. Principalmente quando paro para pensar no quão zombada eu fui na escola e na vida. Eu era tão alvo de chacota na infância, que demorei para acreditar na minha própria capacidade. E, quando eu finalmente vi do que eu era capaz, fiquei cega, não conseguia parar. Foi a melhor sensação.

Porém, agora cá estou, exausta e triste. E, eu só senti a exaustão há uma semana atrás, que fiquei sem trabalhar porque o notebook resolveu parar de funcionar e, por consequência, fiquei fazendo nada. É impressionante que, quando nosso corpo está no embalo, na pura adrenalina, a gente não percebe o cansaço acumulado. De uma semana pra cá, estou até com dificuldade de levantar da cama.

A dificuldade de sair da cama também vem da tristeza. A tristeza vem da quebra de expectativas. E, a dor vem de ouvir pessoas que me admiram e que me elogiam falando que elas tinham as mesmas expectativas que eu e, dói mais ainda quando perguntam por quê o tão esperado por mim e por eles, não aconteceu.

Eu ando sofrendo bastante com isso, mas resolvi fazer o possível de parar de pensar no que aconteceu e o que não aconteceu. Eu resolvi seguir a música “Deixa a vida me levar, vida leva eu.”. Esta sexta-feira, meu professor de Espanhol me disse que não me via mais animada como antes, que eu estava desmotivada. E estou, mas “vida que segue”.

Parei para pensar nos meus sonhos, metas e conquistas depois da aula e, voltei a fazer planos. No momento, não dá para planejar uma viagem, mas um dos meus sonhos sempre foi escrever um livro. Lancei uma pesquisa boba nos stories do Instagram e, 32 pessoas votaram que leriam um livro com minhas histórias. Vou aproveitar a pandemia para escrever e, tentar lançar o livro no ano que vem. Eu espero que eu consiga!

Bom, novamente, passou das 3 da manhã. Vou dormir, senão, sair da cama vai ficar mais difícil amanhã! Kkk


Agosto – O começo


Eu deveria estar dormindo, afinal, trabalho daqui a 5 horas. Porém, estou aqui com a cabeça cheia de coisas. Por mais silêncio que faça, o ruído mental é grande. É, vida de adulto não é fácil.

A realidade é o ruído mental, desgaste, cansaço, desmotivação. Mas, no fundo, no fundo, está tudo bem. Eu tenho um teto, comida e a família, na medida do possível, está bem. E é o que importa.

Eu ando surtando, mas cheguei em uma parte da vida em que, por mais sofrido que seja, eu sei que é uma fase para coletar aprendizados. E esse é o ciclo da vida. Ou você resolve aceitar e aprender ou você fica estagnado reclamando todo dia.

Se eu tivesse ficado reclamando todos os dias, nos últimos 20 anos, o fato de que meu sistema imunológico parou de funcionar aos 10 anos de idade e que tenho que fazer um tratamento mensal, que dura 6 horas de infusão no hospital, de um remédio feito de sangue, e que muitas vezes no ano não tem o remédio no SUS por ser remédio de alto custo, eu não teria vivido o que vivi.

Além de tudo, lembrei que eu não posso tomar certas vacinas, somente aquelas que têm o vírus morto, então, por mais que saia a vacina do COVID, eu vou ter que ficar presa em casa esperando a população mundial tomar a vacina pra eu não sentir mais medo de sair de casa.

Por maior que pareça o problema relatado e que eu esteja fazendo esse tratamento mês sim, mês não, agora, na época de pandemia, por falta do remédio no SUS, eu não estou surtando por causa disso. Isso porque minha saúde é estável e minha qualidade de vida é muito melhor do que os outros pacientes. Sou muito grata pela vida que tenho. Sério. As outras pessoas que fazem o tratamento estão sofrendo, tem gente que tem que tomar toda semana. E, eu só não preciso porque tenho menos crises. É arriscado, mas por decisão própria, resolvi tomar mais espaçadamente.

Eu ando surtando por questão profissional mesmo. Eu, finalmente, encontrei um caminho e, algo que eu gosto de fazer, mas algumas pedras no caminho, estão me mantendo estressada por mais tempo do que eu mesma esperava. Eu cheguei ao ponto de ter pesadelos. E, não é nem porque eu não gosto do trabalho, ao contrário, por gostar tanto do trabalho, por me esforçar tanto, eu acabo me chateando com algumas situações cotidianas, sabe?

Sim, acredito ser uma fase de desenvolvimento e evolução, mas vivo com preocupações. Eu me preocupo tanto com as pessoas, não só no trabalho como na vida. E, algo que sempre me chateou foi falta de consideração. Acredito sim, que crio certas expectativas e tento me controlar muito quanto a isso, mas nem sempre consigo.

No dia a dia, sou reconhecida por muitas pessoas e recebo muitos elogios. Logo eu, alvo de chacotas na escola, que não estava acostumada a receber elogios.

A verdade é que eu me surpreendi comigo mesma nas minhas entregas dos últimos meses e, foi a primeira vez que me senti super segura e capaz, na vida. E, foi um momento muito importante para mim. Mas, por causa de algumas pessoas, foi como se eu perdesse esse momento, mesmo que não tenha perdido.

É aí que a gente vê que, quem escolhe se o que vem de fora é “agressão” ou não, somos nós mesmos. E, pensando bem, é hora de bloquear isso e só pensar no que conquistei, tudo é lição.

Esses dias, estava falando com umas amigas sobre se motivar, se desmotivar, evoluir, estagnar, ter medo, perder medos, mudar e não querer mudar. E, chegamos à conclusão que, dependendo do cenário que você vive, se pensar apenas nos últimos meses, parece que não aconteceu nada mesmo, e nos leva a pensamentos negativos. E, muitas pessoas tem a mania de perguntar o que você se imagina fazendo nos próximos 5,10 anos. E isso, muitas vezes, nos deixa ainda pior, não é verdade?

A melhor pergunta a se fazer é: o que você fez nos últimos 10 anos? Você é alguém melhor do que já 10 anos? Muitas vezes, nossa mente tende a ser negativa, mas se parar realmente para pensar, nem tudo é um desastre. E, sabe de uma coisa? Não importa, não devemos nada a ninguém. Alguém paga suas contas? Não se compare com os outros, foque em pensar na sua evolução para você mesmo e não para os outros. Esse foi um erro que eu cometi na minha adolescência e até há uns anos atrás, não quero isso para ninguém. Sério. Cresça pra você, pra mais ninguém.

Eu, por exemplo, muita gente não acredita, mas já fui considerada a criança mais burra da escola e sofria bullying tanto de alunos como professores. E, pela minha vergonha, medo, timidez, dificuldade de me expressar, participei de grupos de dança, onde acabei indo para tentar encontrar uma “tribo” fora da escola mas, apesar de ter encontrado bons amigos, foi onde fui alvo de chacota apenas por ser eu mesma, por ser vulnerável, por ser criança, por me faltar malícia da maldade alheia.

E, eu era estranha, até entendo a zoeira, mas nossa, eu mudei, cara. Hoje, aos 30 anos, completos este ano, em meio à pandemia, sou uma pessoa bem mais segura, sei o que quero e o que não quero, sei o que gosto e o que não gosto, estudei na área de Exatas, Biológicas e Humanas, estudei no mínimo 5 idiomas, falo 4, morei em 5 países e 6 cidades diferentes, visitei 21 países.

Eu gosto do que me tornei e de onde cheguei. Tenho um bom trabalho, tenho meus empreendimentos, investimentos, e continuo ativa, sempre aprendendo e planejando coisas novas. O segredo para surtar menos é nunca parar.

Eu ainda surto, mas surto quando me sinto presa ou quando algo não acontece como o esperado. Choro, esperneio, me chateio, mas, como uma boa taurina, não desisto, sou persistente. Então, analisando os últimos 10 anos…Eu tô ótima.

Então, o segredo é: “continue a nadar”. E, sim, se precisar, chore, se precisar grite, se precisar, descanse. Mas não desista.

É isso, deixa eu tentar dormir. Trabalho daqui a 4 horas. É que quando vem a inspiração, não consigo parar. Haha


Julho já está acabando


A pandemia por um momento, parecia que havia parado o tempo, mas já estamos na última semana do mês.

Para quem achou que não sobreviveríamos, sobrevivemos.

Estive em casa presa sem sair pra quase nada desde 12 de março. Únicos lugares que eu fui foram:

1 – Drive Thru do Mc Donald’s

2 – Fui comprar um Bonsai

3 – Fui no hospital por causa do tratamento que faco

Minha primeira “quebra de quarentena” foi esta semana. Fui no estúdio de um amigo Youtuber que também só trabalha em Home Office e não sai. Gravamos uma propaganda bem divertida para o Mc Donalds.

E este é o resumo dos últimos 5 meses. Kkk Se quiserem ver o vídeo, está aqui!

Vídeo no YouTube – André Fontes


Quinto mês de “quarentena”


Mês de fevereiro aconteceu de uma forma que, parando para pensar agora, tudo que eu gosto, eu fiz.

1 – Fiz hospedagem de doguinhos em casa

2 – Tomei aquele chá mate gelado e comi meu sanduíche de rosbife favorito em um dos meus bares favoritos

3 – Comi burrito num foodtruck

4 – Matei larica pedindo delivery de Sukiya

5 – Dancei muito forró e viciei na música Anunciação do Alceu Valença

6 – Conheci a Praça Benedito Calixto que sempre ouvi falar mas nunca fui

7 – Comprei roupas novas na feirinha da praça

8 – Dei rolês random e conheci bastante gente nova

9 – Comi churrasco coreano, umas das comidas que mais gosto

10 – Tomei shot de Limoncello, meu licor favorito

11 – Tomei Cotuba – refrigerante de guaraná do interior

12 – Recebi flores e aproveitei o Valentine’s

13 – Virei tia de uma Yorkshire

14 – Comi uns lanche gigante com amigos

15 – Comprei um dos copos mais bonitos que eu já vi do Starbucks

16 – Dei um passeio com amigos na feirinha da Paulista – adoro – comida e joguinhos infantis

17 – Fui num restaurante super diferente, antigo e tradicional italiano e descobri que comer nhoque dia 29 atrai fartura.

18 – Fui com a família me entupir de comer no Tanka, buffet de comida oriental, à vontade

19 – Assisti comédia romântica no Netflix

20 – Experimentei comida do Congo num restaurante tradicional africano

21 – Fui para bloquinhos com amigos e encontrei amigos

22 – Assisti novela coreana

23 – Comi Pizza do 1900 – a melhor

24 – Comi caranguejo fresco comprado na estrada da praia haha e cozinhado pela minha mãe

25 – Bebi vinho com as amigas

26 – Encontrei uma amiga que veio de Paris

27 – Comemos muita coxinha no Veloso – e bebemos muita caipirinha

28 – Aprendi a fazer hot pot chinês com frutos do mar em casa – baseado na receita de um restaurante que fui na Florida

29 – Fui no bloquinho com a familia

30 – Usei pela primeira vez a função de brigadista e ajudei a tirar o povo do prédio da firma

31 – Fui na Vila Madalena

32 – Fui na Tok & Stok e fiquei sonhando – como sempre

33 – Comi Lamen no Kazu com a amiga que ia embora pra NY

34 – Fui no Paris 6 com ela torrar o VR

35 – Finalmente, fui no show dos 4 amigos

36 – Depois de 2 anos “namorando” almofadas na MiniSo, comprei uma num dia q tava na bad – melhor compra

37 – Fui no Eu Tu Eles curtir com amigos e acabamos no Villa Country e voltamos pra casa 6 da manhã

38 – Comi crepe “francês” de queijo

39 – Comi pão de queijo e tomei expresso tônica a última vez no meu café favoriyo

40 – Visitei pela última vez um templo que eu gosto de ir

E aí, veio dia 12 de Março, quando fui mandada para casa, para viver em Home Office até 2021. Nunca mais saí, nunca mais vi ninguém.

Minhas maiores aventuras: drive thru do Mc Donald’s e comprar uma planta.

Para não dizer que vi ninguém, fui ao hospital, mas só por causa do tratamento mensal que faço. E, entreguei coisas na casa de uma amiga, mas tudo de longe, um horror.

Hoje é dia 21 de Julho. O quinto mês “presa” já está acabando e não da para acreditar.

A gente que lute. Kkk

Mas, o que me salva é tentar sempre pensar positivo. E, buscar o que há de lição em cada dia, enxergar ao menos 1% de bom em cada coisa que acontece, sabe? – por mais difícil que seja

Olhando para as coisas que rolaram desde o começo do ano e principalmente desde Fevereiro, eu fiquei mal por um tempo, por não poder mais viver as coisas que vivi, ou viver as coisas que eu sonhava em viver.

Esta pandemia me separou de muita gente querida e me tirou chances de viver coisas muito boas. Mas, talvez, todos nós precisássemos desse tempo longe, uns dos outros, para refletir e decidir o que se quer e o que não se quer.

Acredito, independente de religião, que tudo que acontece tem um propósito. E que quando passar, talvez, possamos entender melhor.

Agora, o que nos resta é apenas se adaptar e aceitar, tanto a situação em que vivemos, assim como aceitar a nós mesmos, como somos. É tempo de analisar a vida, as pessoas, os ambientes e nos conhecer melhor. É tempo de identificar os problemas e tentar arrumar, organizar a vida, sabe?

Não é todo dia que dá aquele ânimo, eu sei, mas lembre-se, um passo de cada vez. Cada um no seu tempo. Cada um com seu relógio, não há pressa.

Está tudo bem e, se não está, vai ficar tudo bem.

Acredite.

Corina Evelyn