Este mês passou “voando”! Sério…só eu tive essa impressão? Março já está batendo a porta! E, sobre a chuva de hoje, Tom Jobim dizia: “São as águas de março fechando o verão”. Mas PELAMOR! Quase que meu carro fica no meio da “mini” enchente no caminho do trabalho! My God do céu!!!

Eu trabalho no horário da madrugada e, são exatamente 03:30AM, acreditam? Bom, eu nunca fui uma pessoa muito diurna. Ainda estou no trabalho. Finalmente encontrei algo que me deixa feliz e, poder estar aqui depois do expediente sem precisar sair correndo pra casa é ótimo. Eu fico aqui por preguiça de dirigir pra casa. Eu sempre fui viciada em dirigir, mas depois de ter morado em Sheffield, na Inglaterra, onde eu fazia tudo a pé e só usava taxi pra ir pro hospital, eu simplesmente desacostumei. Eu ainda amo carro, mas gosto mais de pegar estrada. Eu sou bem nômade. Me peguei pensando hoje e, caramba! Contando com o Brasil, eu já morei em 5 países! Estados Unidos, França, Irlanda do Norte, Inglaterra e Espanha. Falando nisso, atualizei o ABOUT, mas está em inglês, se alguém quiser ler.

Pra quem não sabe, morei dois anos no Reino Unido (Irlanda do Norte e Inglaterra) e 3 meses na Espanha (Vera e Madri). Tive sorte por ter essa oportunidade na vida, graças à minha família. E, eu digo, foi a melhor coisa que me aconteceu na vida.

Hoje, as pessoas me veem como a japa louca e extrovertida, mas e se eu te contasse que até os 14 anos eu era a garota mais zoada e que sofria bullying em todo lugar que ia? Pois é. Depois dos 14, foram meus anos de transição. Sempre estudei em instituições japonesas e, depois dos 14 finalmente fui pra uma escola com uma diversidade cultural maior. Foram 10 anos sofrendo na mesma escola e muito trauma acumulado. Nunca ninguém me bateu. Meu bullying era mais psicológico, daqueles que a classe toda ria de cada coisa que você abria a boca pra falar, estando certo ou não. Simplesmente me escolheram pra crucificar lá na escola junto com alguns outros alunos que eu chamo de “os excluídos”.

Dos 14 aos 19 eu fui me soltando e quando cheguei aos 21, perdi meus medos e fui pro meu primeiro intercâmbio em Fort Lauderdale, na Flórida, nos EUA. Não que eu sempre fui tímida, eu até brincava um pouco, mas tenho lembranças do parquinho na escola onde eu pedia pra brincar com as outra crianças, recebia um grande “não” junto a risadas e dedinhos apontados pra mim. Eu brinquei sozinha por muitos anos. Eu fazia “areia fina”. Tinha um escorregador de madeira que eu jogava areia nele e a areia chegava fininha lá embaixo. Eu passava o recreio todo ali. Recreio! Faz tempo que não pronuncio essa palavra, e vocês?

Apesar dos bullyings, sempre fui palhaça com quem me deu intimidade pra isso. E fiquei mais palhaça ainda depois do colegial. Na primeira faculdade que entrei, de Medicina Veterinária, eu ainda tinha medo das pessoas, apesar de eu sempre me dar bem com meus amigos do colégio. Foi meu primeiro contato “brasileiro” no Brasil. Que bizarro. Mesmo no colégio, eu ainda era cercada de japoneses e, na faculdade eu era a única e todos me tratavam como se eu fosse um ET.

As pessoas falavam umas coisas que eu não fazia nem noção. E eu já era mais velha, mas muitas expressões eu não tinha ouvido. Lembro até hoje o mico que paguei quando estava com umas pessoas na faculdade perto dos carros e alguém falou pra uma menina “olha o farol aceso!” e eu falei “ueh, mas tá apagada a luz”. É, pensando bem, certos bullyings na vida foram bem merecidos, ou não. hahaha

Mas, o medo das pessoas, eu realmente perdi apenas depois de 2012. Eu já estava em outra faculdade, onde cursei Comunicação Social. Eu era a única japonesa da sala de novo, mas foi bem melhor. Eu já estava acostumada com o ambiente e foi bullying zero. Eu passei a fazer bullying em mim mesma sobre os meus erros pra fazer o povo rir e…deu certo. Uma das memórias mais engraçadas foi o dia que eu estava no meio da prova e, quando fui pegar minha caneta que caiu, a carteira virou e eu fiquei praticamente pendurada no menino do lado e ele em vez de me segurar, gritou “AI GESUIS CORINA!” e eu caí…no meio da prova! Bom, fiquei meio conhecida nessa faculdade e vários lugares por ser estabanada e por tropeçar no meu próprio pé e cair sozinha.

Ter morado fora me fez crescer, me fez me soltar, me fez criar segurança sobre mim mesma, algo que nunca tive. Em 2014, depois da faculdade, eu não consegui emprego nenhum de tão insegura que eu era. Mas, aprendi que isso é construído com o tempo. Não que eu esteja 100% segura agora, mas digamos que estou 60% segura. Em 2014 eu estava uns 5% apenas.

Além da segurança, aprendi também uma das coisas mais importantes da vida: “ligar o foda-se” pra TUDO…ou quase tudo. Viver no Reino Unido por dois anos me tornou mais segura e também uma pessoa mais “don’t touch me!” e, por consequência, apesar de eu ser extrovertida e tal, me tornei fria em certas situações da vida que eu costumava ser mais molenga. Muita gente disse que sou a mesma palhaça, mas também tem muitos achando que mudei. A única coisa que aconteceu foi ligar o foda-se, me amar mais e gastar 80% do tempo comigo mesma. Eu sempre fui de largar minha vida pra ajudar os outros mas quem se ferrava era eu sempre. Cansei, né? Chega uma hora que basta.

Viver fora do Brasil, todo mundo pensa que é chique, que é as mil maravilhas, certo? Errado. Que é legal, é. É legal estar em um país da Europa porque aqui no Brasil a gente pega avião pra ir pra outro estado. Só em São Paulo, você gasta às vezes 4 horas no trânsito pra chegar no aeroporto de Guarulhos. Lá na Europa, em 4 horas, eu dirigi de Viena na Áustria até Praga na República Tcheca. Tirando isso, ser turista é super legal, mas morar em um lugar que você nunca pode chamar de seu…é complicado.

Eu estava em Sheffield quando o Reino Unido resolveu sair da União Europeia e, sofri até perseguição. Tudo começou com um mini conflito entre quem era local e quem era imigrante e acabou com casos de xenofobia. E eu, que tenho cara de oriental, me ferrei, né? Fui perseguida por uns caras ingleses que gritavam “Go back to your country!”, me xingavam e insinuavam em me bater. Entrei numa loja pra me proteger e o segurança, inglês também, não fez simplesmente NADA. Ficou até rindo.

Já aconteceu de eu ir numa balada e o inglês fingir que eu não estava na frente dele  porque ele achava que eu era chinesa e não falava inglês corretamente. Ele apenas me respondeu quando eu disse a ele que ele estava sendo preconceituoso. E, no fim dos dois casos, eu não podia chamar a polícia porque sabia que ninguém ia me ajudar porque afinal, eu era considerada uma imigrante insignificante.

Na Espanha, no meu estágio, todo dia tinha clientes que gritavam “Chiiiinaa!!!” da sacada dos quartos. Na Suíça, nor carnaval, minha amiga me levou numa festa e quando falaram que eu era brasileira, os caras vinham dizer “If you don’t know where to stay tonight, my bed is free for you”. Coisas do tipo.

Em Paris, fiquei morei na casa de uma família em que a mulher brigava comigo todo santo dia e eu tinha que tomar banho escondido à noite. Sem contar que pra eu tomar banho tive que limpar a banheira antes de tomar banho, a qual saiu um caldo preto de sei lá quantos séculos sem limpar. Em Dublin, quando fui a primeira vez, no hotel, um espanhol chegou dizendo “Hola, que tal?” achando que eu não ia entender pela minha cara oriental e eu respondi “Muy bien y tú?” Mal ele sabe que sou brasileira e falo praticamente quatro línguas. AFF.

Não que eu não tive boas experiências, tive experiências magníficas, mas repito, turistar é uma coisa, morar é outra. Mas, isso tudo me fez quem sou agora. Depois de enfrentar tantos perrengues, eu sou uma fanática brasileira que até deixa de falar com pessoas quando falam mal do Brasil. Odeio pessoas que ficam achando que a grama do vizinho é mais verde.

A única coisa que sinto falta lá realmente, é ter menos medo de andar na rua. Digo menos medo porque lá também tem violência, onde não tem, não é verdade? Minhas primeiras semanas em Belfast e um cara bêbado e drogado atropelou estudantes no caminho da minha faculdade. Primeiras semanas em Sheffield e uma menina foi pra balada, sumiu e foi encontrada morta no rio perto da minha casa. Pois é. Não dá pra se descuidar em lugar algum. Mas não vou mentir, eu ficava menos noiada de andar na rua sozinha. Além do mais, assédio lá dá cadeia de verdade, então, quase não tem gente se pegando na balada e, quando tem, tem lugar que aparece o segurança reclamando da pegação.

Era pra eu escrever sobre fevereiro, mas bateu a nostalgia. Eu me empolgo relembrando minha vida nos últimos 5 anos. Foi cada perrengue…saudades! Tenho saudades, mas não viveria novamente. Eu acho que tudo que foi vivido foi ensinamento e o que tem pra vir é a nova fase do “jogo” da vida. Eu vejo a vida como um jogo, principalmente quando eu faço a mesma m*rda mais de duas vezes. Parece que eu estou jogando e não consigo passar de fase. hahaha mas que nem Pokémon, a gente vai evoluindo. E, quanto mais velhos a gente fica, mais difícil ganhar XP, por mais porrada que a gente leve da vida!

Bom, resumindo, graças aos perrengues a gente muda, a gente cresce e é o que é. Nunca vamos estar felizes como o que somos, já vi que isso é coisa do ser humano. Não tem jeito. Mas o que importa é se estamos mais seguros, se aprendemos coisas constantemente, se buscamos crescer, se buscamos novos conhecimentos. O negócio é não parar nunca! Às vezes, bate aquela bad, né? Eu ando na bad ultimamente, mas se a gente não decidir sair da bad, ninguém tira a gente de lá. Se você estiver na bad…bora resgatar aquela força escondida em algum lugar do seu corpo e  bora se levantar e viver!

Apesar da bad, escrever aqui foi muito bom hoje. E, já são 04:35AM!!! Acho que está na hora de eu ir embora. Quem fica até “tarde” no trabalho por espontânea vontade? Euzinha. hahaha Mas, faz tempo que não fico inspirada pra postar e, cá estou, finalmente!

Não sei se alguém vai ter paciência de ler aqui, mas se ler, obrigada pela visita!

Boa noite pra mim e um ótimo dia pra vocês!!!

 

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One Reply to “Fevereiro? Nunca nem vi!”

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