UM de Janeiro de 2018 – Reflexões

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Não achei título melhor para este post. Não sei quanto tempo vou postar aqui no blog, mas pretendo ser mais presente este ano. Faz tempo que não uso minhas habilidades de escrita. Para falar a verdade eu esqueci como se escreve um post. Engraçado que a vida muda a ponto da gente esquecer que existe um laptop na escrivaninha. Hoje, a gente mexe tudo pelo celular e só usa laptop quando precisa ou escreve a mão quando precisa assinar alguma coisa, ou fazer prova. Nunca sequer imaginei que um dia ia fazer quase tudo em um negocinho que eu coloco no bolso…

Mas vamos ao que interessa! O post!

As reflexões de ano novo vieram com tudo. Nossa, quanta coisa mudou! Nossa, como eu mudei! NOSSA!

Estava parando para pensar esses dias e fiquei imaginando a época em que eu estava com 17 anos e tinha acabado de terminar o colegial. Eu não fazia IDEIA sequer do que era um vestibular direito. Eu sei lá o que eu achava do futuro. Na verdade eu não achava nada, eu só queria curtir. Aos plenos 17 anos, fazia apenas três anos que eu tinha começado a me socializar, ter novas experiências e novas pessoas em minha vida. Passei infância e adolescência literalmente presa, tinha acabado de conhecer o metrô. Sim, peguei meu primeiro metrô aos 16 e o primeiro ônibus aos 18, tudo meio tarde. Eu sabia tanto de ônibus que peguei no sentido contrário porque o busão chegou antes que o do lado que eu estava e, quando chamei o motorista dei tchauzinho…

Eu vivia num sistema “rigoroso”. Acordar, ir pro inglês ou kumon e pra escola de perua, voltava pra casa e não saía mais. Eu não sei o que é brincar na rua, eu não sei subir em árvore, eu não sei pular muro, nunca quebrei nenhum membro, só meu dedo que trincou nas aulas de basquete da escola. Não dormia em casa de amigas, não saía pra onde não tivessem pais acompanhando. Era tudo calculado. TUDO. Até hoje, tirando o tempo que morei fora, morando em SP com a família, dormi fora de casa acho que menos de dez vezes na vida. Sério.

Agora eu não durmo fora mais por preguiça mesmo. Pra dormir bem, só meu banho no meeeu chuveiro, com meeeu pijama, na miiinha cama. Sim, estou ficando velha. Dormir fora agora só se for viagem. Ano passado resolvi ir pra um treinamento de sobrevivência na Selva, por três dias, sem comida nem bebida. PIOR e MELHOR ideia que tive. Aprendi muita coisa, mas que dormi péssima…na verdade quase não dormi, tinha que ficar acordando pro revezamento de vigia noturna que era das 22 às 5 da manhã. E, quem ficava pro horário das 5 não dormia mais…tinha que fazer fogueira, fazer chá e separar as bolachas pro povo. (eram 5 por pessoa…) Eu que nem sabia levantar fogueira tive que buscar galho no meio do mato e levar susto com aranhas gigantes. Mas sobrevivi. Depois eu conto melhor essa história.

O ano de 2017 foi de muitas mudanças, mas decidi que ia mudar lá no começo do ano. Reencontrei meus amigos do grupo de hip hop e na época estavam fazendo uniformes para o grupo. Eu não danço nada, mas fizeram um pra mim porque eles são uns amorzinhos. (s2 haha) E tive que escolher um número para colocar na parte das costas porque a camisa é em estilo Baseball. Demorei um pouco para escolher, mas acabei escolhendo 27 que é minha idade atual e o 7 é um número que mexe comigo, sei lá por quê. 17 anos também foi uma idade de mudanças. Resolvi que 2017 também seria. Dito e feito.

Pra falar a verdade 2017 não foi um ano muito fácil, mas foi um ano muito bom porque eu procurei enxergá-lo com as “lentes da positividade”. Foi um ano que aprendi muito, com as pessoas e comigo mesma.

Depois de dois anos e dois meses longe do Brasil, foi meio difícil me readaptar. E, na verdade, eu só descobri a imensa saudades que eu tinha do Brasil, depois que voltei. Principalmente pela comida. (hahaha) Viajei por 16 países e até hoje e não achei UM que ganhe no quesito GASTRONOMIA. (nem França, nem Itália)

Primeiro a comida, claro, em segundo vem as pessoas, por incrível que pareça. O Brasil tem algo que nenhum país tem, algo que não damos valor no dia a dia, o sorriso, um coração caloroso. Não que as pessoas nos outros países não sejam assim, mas aqui, por mais que coisas ruins aconteçam, todo mundo dá um jeitinho de sair rindo das desgraças, não que isso seja sempre bom, mas o povo brasileiro sabe levar as coisas mais sutilmente que lá fora. Lá fora qualquer coisinha é motivo de desespero, e não digo desespero por causa das bombas que caem, coisas bestas mesmo.

Uma vez minha amiga disse que bateram no carro dela enquanto ela estava indo me buscar no aeroporto de Zurique e que sentiu uma dor nas costas e que ia pro hospital. Quando vi o carro dela, nem amassado estava. Olha, em UM DIA aqui em SP, eu caí da escada na faculdade, bati o vão dos ossos do joelho na quina do degrau da escada, doeu a ponto de ficar surda, mas saí andando pra almoçar que eu tinha estágio…aí fui atropelada por um carro saindo da garagem,  mesmo assim, saí andando pra almoçar e só fui no hospital porque me mandaram ir. Acabou que a injeção doeu mais do que cair da escada e ser atropelada. Se eu saí mancando foi por causa da injeção que paralisou minha perna e ainda me causou Síndrome Compartimental porque o cara acertou a agulha no nervo da bunda. Então… eu acho meio ridículo as pessoas cortarem um dedinho e irem pro hospital. Eu já cortei o tampo do dedo e sobrevivi fazendo curativo em casa nem torto ele ficou! Já bateram no meu carro a ponto de amassar a traseira inteira e eu fui pra casa chorando, mas normal. Sério!

De Setembro de 2014 ao final de Novembro de 2016, morei em 3 países diferentes: Irlanda do Norte (um ano em Belfast), Inglaterra (um ano em Sheffield), Espanha (dois meses em Vera, Almería e um mês em Madrid). Te juro, me diverti pra caramba, mas mais pelo fato de eu estar livre por minha conta e risco pela primeira vez na vida, sem precisar ficar dando satisfação pra família do horário ou de com quem eu estava. Quem não gosta de liberdade?

Mas, pra quem acha que morar fora é super luxuoso e cheio de festas todo dia, está de certa forma, enganado. Ok, eu fui estudar e, sim, tinham festinhas da faculdade, mas não era tudo luxo não. Vivi em uma república com 12 pessoas por andar, cada um com seu quarto e banheiro (ufa!), mas dividíamos a cozinha. O povo lá não é muito higiênico e não tinha muita noção do que se fazer em uma cozinha.Teve um menino que colocou a pizza sem bandeja no forno…imagina o que aconteceu. Todo dia eu acordava e às vezes eu não via a pia. As torneiras em todo o Reino Unido ou queimam ou congelam sua mão, não tem meio termo. Às vezes, faziam festa na cozinha e tinha gente que gorfava no chão, quando não tinham a “brilhante” ideia de fazer isso na pia.

Depois me mudei pra um apê pequeno que eu dividia com uma chinesa que, graças a Deus era uma garota super de boa. Quem assustou ela fui eu, mas ela não chegou a fugir nem reclamar. Super de boa. (hahaha) Como no Reino Unido CHOVE 6 A 7 DIAS NA SEMANA O ANO INTEIRO, a gente optava pelas festinhas caseiras, e eu que sou uma pessoa “pouco sociável”, estava sempre com a casa cheia. Mas, claro, avisava ela antes. Ela só assustou porque este tipo de reunião não é muito comum na China, me disseram que se fazem festinhas assim, o governo acha que é conspiração e manda prender. Bizarro, né? Imagina viver sem uma churrascada?

Falando em churrasco, eu buscava carne em Dublin, na Irlanda do Sul (são separadas: Irlanda do Norte pertence ao Reino Unido e do Sul é independente). Eu chamo Dublin de “O Brasil na Europa”, que apesar de não ter o nosso clima favorável, foi o lugar que eu mais falei português, lá SÓ TEM BRASILEIRO. Sério, eu ia pra lá pra comer feijoada, comprar comida, dançar forró e ia pras festinhas sertanejas. A melhor festa que fui nos últimos anos foi uma Festa Junina em Dublin, onde fui sozinha mas me diverti muito, comi muito pão de queijo, churrasco e só tocou música boa, deu pra matar saudades do Brasil. Eu pegava um busão de manhã, fazia as compras de dia, passava a noite na festa e voltava de madrugada pra Belfast. Eram duas horas de busão, o trem levava mais tempo por incrível que pareça. (parava em todos os pontos e era devagar)

Tem gente que me pergunta, “Mas você foi pra Europa pra comer feijoada em Dublin?” Cara, se você comesse as comidas do Reino Unido, você ou ia virar uma bola porque come que nem porco ou você ia enjoar e voltar pro Brasil, ou ia pra Dublin como eu. A galera lá amava ir comer lá na minha casa, sabe por quê? Porque eu cozinhava tudo ao natural, sem nada industrializado. Tinha gente que pagava pra eu cozinhar, pra vocês terem ideia de quão ruim era a comida de lá. O forte do Reino Unido não é a culinária e sim o alcoolismo, eu achava que o povo aqui bebia e era sem noção, mas lá eu vi que é bem pior. Um dia eu estava num bar com uma amiga no Halloween, e do nada eu vi uma menina correndo porque o cabelo dela estava pegando fogo e isso ainda foi algo super leve, vocês nem sabem o que rola por lá!

Bom, já deu pra ver que eu vivi coisas loucas, né? Em Sheffield, na Inglaterra, vivi num studio, que no Brasil chamamos de quitinete. Esse studio era tudo de bom, deu sorte, era até chique. Era o único lugar que achei pra morar porque resolvi mudar de cidade e de faculdade nos 45 do segundo tempo. Eu não aguentava mais a chuva de Belfast, estava enlouquecendo e quase fico em depressão, sem brincadeira! Eu vivi UM ANO e vi o sol acho que duas vezes O ANO TODO. Era só chuva, chuva, chuva e tempo nublado. Se eu não tivesse feito amigos naquele lugar, acho que eu poderia ter sido internada com depressão, de verdade. Apesar do tempo horrível, fiz amizades maravilhosas e até hoje nos falamos. Uma vez por semana ou quando dá, enviamos mensagens pelo zap ou fazemos video conferências. No final, Sheffield chovia e também não tinha tempo super bom, mas pelo menos lá tinha SOL.

Sheffield foi uma mudança tremenda para mim. Eu me mudei, de novo, sem conhecer ninguém. Por sorte eu tenho facilidade de fazer amizades, se deixar eu estou falando com postes na rua. (hahaha) Meus primeiros dias na faculdade nunca foram muito bons. Tanto em Belfast quanto em Sheffield, tinham festinhas antes do início do curso…acredita que nas duas cidades eu fui pra festa da faculdade errada?! HAHAHAHAH (quem me conhece acredita hahaha) Mas graças a esses “pequenos erros” conheci pessoas maravilhosas. Na verdade, em ambas as cidades, demorei uns 3 meses até achar amigos de verdade, assim, pra contar no dia a dia. Eu falo com meio mundo mas sou muito desconfiada, analiso bem com quem vou viver meu cotidiano pra evitar problemas e mesmo assim os problemas sempre aparecem, não é mesmo? É a vida!

Não importa o lugar que vou, cada lugar eu tenho no mínimo 3 “tribos” de rolê. No mínimo! E sempre tem uma tribo que vejo todo dia. Em Sheffield, minha tribo era a maior parte da “faculdade errada” e grande parte morava no meu prédio que era estudantil. Não paguei muito barato pra morar lá, mas quando tinha festa era tudo open bar de bebes e comes e grátis para os moradores e amigos, com direito a bartender e DJ. Masss, as festas mais loucas fui eu que dei pra variar. O povo que nem sabia o que era funk acabou descendo até o chão no meu aniversário em 2016. Foi muito louco. Muito!

“Fiquei um ano lá em Sheffield e, ao fim do ano resolvi voltar pro Brasil, mas antes, aproveitei pra achar um estágio em Almeria, na Espanha, que era pra durar três meses, mas minhas documentações atrasaram e fiquei apenas dois.” Passei um dos piores perrengues da minha vida, que vou contar num outro post, mas conheci mais pessoas maravilhosas. Eu vivi num quartinho minúsculo no subsolo de um hotel com uma americana-equatoriana e uma polonesa. Nossas outras companheiras de habitação eram uma colombiana, uma espanhola e uma que não lembro de onde era. Terminei o estágio e a americana-equatoriana me convenceu a ir pra casa dela em Madrid e lá fui eu.

Eu acabei morando com essa americana-equatoriana, um americano de L.A. e uma russa. Só que depois de uma semana essa amiga, a única pessoa que eu conhecia, do nada, foi visitar a família dela em Miami e acabei morando com os amigos dela. Mas foi divertido e eu agradeço a ela até hoje por ter me deixado ficar com eles. Acabei ficando lá por um mês, entregando currículos e tentando entender como funcionava o visto de trabalho, mas é muito difícil legalizar todos os documentos e resolvi voltar pra Sheffield e depois voltar pro Brasil. Parte das minhas coisas ainda estava em Sheffield na casa de uma amiga. MÓ ROLÊ.

E, voltei no final de Novembro de 2016. Uma loucura. Parei para pensar e passou tudo muito rápido. E, esses dois anos só me fizeram bem, não importa os perrengues que passei. Na verdade eu fui porque sabia que ia enfrentar tudo isso, eu estava precisando. Meus pais são muito corujas e eu gosto de dar a cara pra vida bater, porque sei que é assim que aprendemos mais rápido e evoluímos mais rápido. Sou louca, eu sei. Mas agora sou adepta ao “Fuja da zona de conforto, a vida está fora!!!” E está, de fato.

O ano de 2017 passou e as memórias mais vivas AINDA, são essas de 2014 a 2016, pelo fato de que aprendi muito com as pessoas e comigo mesma. Mas, o maior aprendizado mesmo foi depois que voltei. Tive uma recepção calorosa de alguns amigos, de outros nem tanto. Quando cheguei, fiquei um tanto chateada para falar a verdade, mas por besteira. Sou aquela sonhadora de ter alguém com plaquinha de “Bem vindo” no aeroporto, coisas de filme. Fazer o quê. (hahaha) Agora, sem falar em besteira, eu fiquei meio chocada com a realidade de cada indivíduo que eu conhecia. E o que mais me chateou foi que meus amigos de fora me ligavam mais do que quem estava morando aqui perto, em São Paulo. Mas, na verdade, quem estava acostumada com uma realidade diferente era eu.

Aqui em São Paulo todo mundo está “busy” a todo momento, é diferente da vida que eu tinha lá fora. Era um “busy” diferente, eu fazia meu tempo e a galera só chegava junto. Eu ia pra facu e tinha aula das 9 as 17 e saía correndo pro trabalho no restaurante. Chegava em casa e ainda fazia uma festinha com amigos no apê e quando tinha forças saía pra dançar salsa ou pegar uma baladinha de leve. Na verdade, acho que o que muda é a disposição das pessoas, hábitos, sei lá! Eu só não saio todo dia aqui porque moro com minha família e me preocupo muito com eles. Se estivesse morando sozinha, certeza que eu voltaria aos meus hábitos de quando morava lá. Não sei…isso se tiver dinheiro né. Mas nada que uma vaquinha não resolva, cozinhar pra amigos nunca foi problema pra mim.

Eu ainda não me conformo que demorei tantos meses pra me readaptar ao que um dia foi minha vida. Se bem que muita coisa mudou e as pessoas também mudaram. Acho que o choque maior foi porque EU mudei e não percebi. Eu voltei mais segura de mim, mais “poha loca”, mais sem medos e com mais vontade de me aventurar.

Cheguei em SP, conheci um amigo velho virtual pessoalmente, ele me apresentou os amigos dele, fomos pra Woods, da Woods fomos pro Rio de Janeiro no Carnaval. Bem doideira, mas mara! Se antes de viajar pra fora eu queria ir pra Woods, o ano de 2017 eu estourei a cota.

De Maio a Agosto foram os meses da zica. Nunca fui tanto em hospital na vida. Mas o pior não foi estar em hospital, foi descobrir quem são meus verdadeiros amigos da forma mais dolorosa. Sabe, às vezes, não tem mesmo como ajudar alguém, mas um abraço e uma conversa é tudo que a gente precisa e, realmente, dá pra contar nos dedos quem vai estar ali pra gente quando precisamos.

Outra coisa dolorosa esse ano foi em Setembro, quando ouvi que eu enchia o saco mandando mensagens nos grupos de amigos no Brasil e que eu deveria estar curtindo minha vida no exterior em vez de ficar mandando mensagem pra eles. Meu…que eu saiba, amigos são amigos, não importa a distância. Mas, tudo bem, eu fiz questão de não saber quem que falou pra eu não pegar mágoa. Já perdoei, mas o pé tá sempre lá atrás. Nesse mesmo mês aconteceu uma coisa tão  sem noção que eu contei a história pra amigos e ninguém conseguiu entender o que aconteceu, ou seja, comprovei que a pessoa ‘x’ é louca e que eu não estou pirando. Uma coisa boa foi que eu joguei o foda-se e virei mais “poha loca” ainda.

Final de ano, mais umas visitas no hospital, mas nada grave. Consegui resumir o ano…ah! Tirando os perrengues de Maio a Agosto, tomei um novo rumo na vida graças a um curso que fiz. Conheci muita gente maravilhosa!!!

2017 foi MARA. Perrengues tem todo ano, né? O que importa é a gente detectar os erros e tentar consertar ou melhorar.

Que venha 2018!!!!

Beijinhos!

 

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